Sim, mãe.

Sim, mãe.  Já jantei.
Sim, mãe.  Ligo quando chegar.
Sim, mãe.  Tenho bateria.
Sim, mãe.  92%
Sim, mãe.  Levo um casaco.  O azul.

Tenho saudades tuas

Tenho saudades de te dizer que já jantei, que ligo quando chegar, que tenho bateria, 92%, que levo o casaco azul...

De te ver sorrir.


Um texto com as palavras Azul, Mãe, Saudade, Sim e Sorrir.
Exercício de escrita realizado no workshop de escrita promovido pela Junta de Freguesia da Misericórdia, em Lisboa, e orientado por Mara Domingues.
22/5/2026

Pão (2013)



A family gathering around what used to be an everyday activity.

a film by Mário Lopes 
2014 | Portugal | 1.85:1 | BW | stereo | 11'43''

Awards:
Best Portuguese Short | Wine & Flavours Film Festival | Lisboa, Portugal

Screenings:
Black and White - International Audiovisual Festival | Official Selection | Porto, Portugal | May 22, 2014 | World Premiere
Balkan Film Food Festival | Official Selection | Pogradec, Albânia | September 2, 2014
Acampadoc | Official Selection | La Villa de Los Santos, Panama | October 7, 2014
5th Siliguri International Short Film and Documentary Contest | Official Selection | Siliguri, India | November 4, 2014
Family Fiction Film Project | Official Selection | Porto, Portugal | November 11, 2014
Wine & Flavours Film Festival | Best Portuguese Short | Lisboa, Portugal | January 29, 2016 
Fitas de Memória | Official Selection | Lisboa, Portugal | March 3, 2016
Porta Entaipada

Lisboa, 2017

homework

pencils and sketchbook drawing

Documentário

wires

wires
Street Photography, Amadora, 2015
Amadora, 2015
Capítulo 27

Pela janela, passavam ritmados os postes que suportam os cabos electricos que alimentam o comboio. Os armazéns da área industrial há muito que tinham ficado para trás, assim como as moradias relvadas dos suburbios da cidade.

Berner ficava com um ar engraçado com aquelas roupas do meu pai vários números acima do seu tamanho. Assim sem maquilhagem, até parecia um rapazinho a querer parecer um homem.

A minha mãe incentivou‐nos a levar no corpo toda a roupa que podessemos para que coubesse tudo na mala grande e no saco desportivo de Berner.
A molha do dia anterior deixara‐me num estado meio febril. A transpiração por baixo das três camisolas de lã congelava assim que atingia a superfície da pele e os lóbulos das orelhas que o meu gorro castanho não conseguia cobrir tinham petrificado com o frio assim que sairamos de casa.

— És o homem da familia. Toma conta delas. — disse-me o meu pai quando nos despedimos.
Ambos sabíamos que não passava de um rapazinho de 11 anos e que pouco poderia fazer se a situação se complicasse. A preocupação no seu olhar denunciava isso mesmo.

Vimo-lo ficar para trás sentado no alpendre, à medida que o taxi que nos levou à estação se afastava.
Ali ficou o dia todo até que o mesmo carro se aproximou varrendo o jardim molhado com o mesmo feixe de luz da noite anterior.

— Sejam bem vindos, rapazes. Chegaram mesmo a tempo. O jogo está prestes a começar. — os Red’s jogavam essa noite, mas o meu pai não chegaria a saber o resultado.

~

Foi em 1957 que regressei a San Diego. Nancy ia em trabalho, com as despesas pagas pela revista, e o dever de passar os dias entre o sofá e o cinema do bairro não foram argumento suficiente para recusar o convite para que a acompanhasse.

O quarto era bastante decente e a televisão, o jornal diário e o room-service eram quanto bastava para manter a minha rotina.

Naquele dia levantei-me cedo e saí para comprar o jornal numa Liquor Store na esquina com Ingelow Street. Tomei um café e regressei ao hotel.

Um taxi parou em frente à entrada. Saiu um casal de meia idade, de pele rosada pelo sol, que me chamou a atenção por nada ter de especial: ele, barrigudo, de camisa branca, gravata listada, suspensórios a segurar as calças castanhas e chapéu de aba curta; ela, de vestido ao xadrês em tons de azul, e fita a condizer a apanhar o cabelo loiro.
Traziam uma enorme quantidade de malas que o paquete carregava já para o interior.

Sentei-me no banco traseiro do taxi, sem ter plena consciência de que o estava a fazer.

A casa tinha sido repintada. Tinha agora um tom alaranjado, e o jardim estava cuidado de forma diferente.

Pareceu-me ver o meu pai ainda sentado no alpendre. Agora que tínhamos a mesma idade impressionou-me aperceber-me de como nos tínhamos tornado parecidos.

Quis contar-lhe que Berner estava bem. Que tinha um filho, agora com 7 anos, e que depois do divórcio se mudara para a Costa Leste.
Que nos víamos pouco, mas mantinhamos uma correspondência regular.

Que a mãe vivia agora numa casa em Green Hills onde é bem tratada. De como reclama das velhas que passam o dia a jogar canasta e embirra com as auxiliaries que não a deixam esfregar o quarto que, segundo ela, não cheira a limpo e não é suficientemente arejado.

E que a ia buscar todos os domingos para almoçar comigo e com Nancy.

Um latido ofegante interrompeu-me os pensamentos. Atrás dele corriam um cachorro e um rapazinho de calçoes vermelhos atrás de uma bola.
Um homem mais ou menos da minha idade seguia atrás deles e dirigiu-se para a porta da casa.

— Leve-­‐me de volta ao hotel, por favor. — pedi ao taxista.

Exercício de escrita para a discilina de Narrativas Cinematográficas do mestrado em Desenvolvimento de Projecto Cinematográfico (ESTC).
O desafio consistia em escrever a continuação do capítulo 26 do romance "Canadá" (de Richard Ford), sem nada conhecer do resto da narrativa.
Um texto curto com um estilo que pedi emprestado ao Ford.
2014

Light Painting

Light Painting, Santiago de Compostela, 2014

Santiago de Compostela, 2014

street portraits

street portrait, Vigo, 2014

street portrait, Santiago de Compostela, 2014

street portrait, Santiago de Compostela, 2014

street portrait, Santiago de Compostela, 2014

Galiza, 2014

Dive (2014)



A small film created for the Vimeo Weekend Challenge.
"Dive" was chosen as one of the Runners Up.
The complexity of making choices...
a film by Mário Lopes
2013 | Portugal | 2.75:1 | BW | stereo | 25''

A Ko.Zinha / Medja / Live improvisations (2013)

 

Live Improvisations by A Ko.Zinha (João P. Branco) and Medja at Bus Paragem Cultural
Lisboa, 2013

A film by Mário Lopes

longa exposição

longa exposição, Porto, 2011

longa exposição, Porto, 2011

longa exposição, Porto, 2011

Porto, 2011

Tempo (2007)



"It's terrible. I start to remember less about you . (...) I tremble for forgetting so much love."

Emmanuelle Riva in: HIROSHIMA MON AMOUR, Alain Resnais, 1959



Time blurs memory. The grief caused by the loss of intensity of a feeling. A woman fights against the oblivion...



"Tempo"

um filme de: Mário Lopes e João Nogueira
com: Natacha de Noronha
2007 | Betacam SP | 16:9 | color | stereo | 3'48''